Mutações do novo coronavírus podem deixar a Covid-19 mais leve?

Pesquisadores identificaram em Singapura uma mutação do Sars-CoV-2 que parece desencadear um quadro de Covid-19 mais leve. O estudo, publicado no periódico The Lancet, é o primeiro a relacionar alterações genéticas do novo coronavírus com um possível “enfraquecimento” dos sintomas. Mas ele deve ser interpretado com cautela.

“Em geral, os vírus mais letais não conseguem se disseminar tanto porque matam seus hospedeiros antes de contaminar outras pessoas”, explica Rafael Resque, doutor em genética e biologia molecular e professor da Universidade Federal do Amapá.

A própria família dos coronavírus, do qual o Sars-CoV-2 faz parte, é um exemplo disso. As linhagens de coronavírus que causam resfriados leves e diarreia circulam há décadas e são bem comuns na população. Já as versões mais agressivas (Sars e Mers) sumiram depois de epidemias curtas, porém com alta mortalidade.

No entanto, também é possível que vírus específicos sofram menos mutações e, ainda que perigosos, continuem infectando bastante gente. O sarampo é um exemplo clássico.

No caso do novo coronavírus, ainda não dá para saber o que acontecerá. “Até é possível que ocorra um enfraquecimento daqui alguns anos,mas os dados atuais não indicam que ele está ficando mais bonzinho”, destaca Raquel Stucchi, infectologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo.

E atenção: mesmo se versões do Sars-CoV-2 menos agressivas começarem a se espalhar, vai demorar muito tempo até que os subtipos mais mortais se tornem raros. Em outras palavras, não dá para aguardar isso acontecer como forma de controle da pandemia.

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