O racismo que adoece a alma e o corpo

O preconceito explícito e arraigado na sociedade aumenta o risco de pessoas negras desenvolverem problemas físicos e mentais. Como podemos curar essa chaga?

O respeitado periódico médico The Lancet publicou um artigo discutindo como o racismo afeta o bem-estar físico e mental da população negra e o classificou como “uma emergência de saúde pública”.

Uma pesquisa do laboratório APM Research Lab mostra que, em terra americana, os negros têm morrido com o coronavírus quase três vezes mais que os brancos. A coisa não é diferente por aqui: pretos têm um risco 62% maior de falecer pelo Sars-CoV-2 em São Paulo, segundo a prefeitura da capital e o Observatório Covid-19. Já os pardos enfrentam uma possibilidade 23% maior. Juntos, os dois grupos compõe o que, de acordo com a classificação de raça/cor do IBGE, são os “negros”, e correspondem a 56% da população brasileira.

“Esses dados podem ser explicados pelas condições a que essas pessoas já estão submetidas na sociedade”, interpreta Monique. Ora, não adianta pedir a alguém que não tem acesso a água encanada que lave as mãos com frequência nem que fique em casa quando exerce um trabalho informal — situações mais comuns entre os negros no país.

Os reflexos do preconceito na saúde

A discriminação em si pesa bastante no acesso a uma saúde de qualidade e reverbera até nas células do organismo. Sabemos que, por razões genéticas e ambientais, negros têm maior propensão a hipertensão, diabetes tipo 2 e anemia falciforme, por exemplo, mas o DNA sozinho não justifica por que eles sofrem mais com os impactos dessas doenças

Tamanho preconceito mexe literalmente com o corpo. Um estudo da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, indica que vítimas de preconceito racial tendem a ficar com o organismo mais inflamado, o que predispõe a uma série de doenças crônicas. A inflamação é provocada por uma resposta exacerbada a situações estressantes recorrentes, caso do racismo.

Enfrentar o racismo e seus efeitos na saúde pública depende de que toda a sociedade reconheça que ele existe, se informe, converse a respeito e busque soluções. De acordo com o professor Campos, dicussões e saídas para a questão da raça não podem ficar restritas à população negra. A transformação no sistema convoca todo mundo a rever ideias, condutas e comportamentos.

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