Enxaqueca não é só dor de cabeça

Estudo confirma a presença de pontos de gatilho no músculo, comprovando a existência de processos inflamatórios que fazem a dor ir além da cabeça

Os sintomas de enxaqueca estão fortemente associados à dor de cabeça – que pode, muitas vezes, ser incapacitante –, mas não se restringem a apenas isso. Entre outras repercussões, pacientes enxaquecosos podem apresentar também dores no pescoço e até mesmo na musculatura dos ombros.

A enxaqueca é uma queixa comum e que frequentemente está associada a outras dores. Dores nos ombros, na face e na coluna cervical, quase sempre são uma queixa confirmada por pacientes que sofrem desse mal.

Vale ressaltar que a cervicalgia (dor no pescoço), por exemplo, é frequente em pacientes com enxaqueca.

Afinal, qual é a relação?

O complexo trigêmino-cervical é a estrutura chave para compreender o fenômeno que explicita a relação enxaqueca e dor muscular. Há uma conexão de nervos que levam a informação de dor na cabeça e nos ombros. Em uma enxaqueca pesada, por exemplo, ramos do nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade da região da cabeça, ativam os nervos cervicais, estimulando-os e também estimulando os músculos da região, que se tornam sensibilizados.

Em casos de enxaquecas frequentes (diárias ou semanais), a provocação de estímulos repetitivos torna a musculatura da face, pescoço e ombros cada vez mais sensível, levando a pessoa a sentir dores espontâneas.

Em uma pesquisa, os resultados da ressonância magnética foram divididos em sequências e cada uma mostrava uma alteração em dada estrutura estudada. Na sequência utilizada, foi demonstrado o processo inflamatório hiperintenso (ou seja, mais claro na imagem), sugerindo que aquela região está inflamada.

A enxaqueca ativada provoca um processo inflamatório na musculatura do trapézio. Porém, outros músculos também demonstram essa inflamação. Estudos futuros podem validar esse achado em amostras maiores, mas os pesquisadores acreditam que esse fator inflamatório pode ter potencial para se tornar um biomarcador viável.

Fonte: Saúde Abril