Um fator que tornaria a nova variante do coronavírus mais contagiosa

Pesquisadores das faculdades de Medicina (FMRP) e de Odontologia (FORP) da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto, identificaram um dos fatores que tornaram mais infecciosa a nova variante do coronavírus, a B.1.1.7, originária do Reino Unido e com dois casos confirmados no Brasil pelo Instituto Adolf Lutz.

Por meio da aplicação de ferramentas de bioinformática, eles constatara m que a proteína spike da nova cepa viral – que forma a estrutura de coroa que dá nome à família dos coronavírus – estabelece maior força de interação molecular com o receptor ACE2, presente na superfície das células humanas e com o qual o Sars-CoV-2 se liga para viabilizar a infecção.

Os resultados do trabalho, apoiado pela Fapesp, foram publicados na plataforma bioRxiv, em artigo ainda sem revisão por pares.

“Vimos que a interação entre a proteína spike da nova cepa do coronavírus é muito maior do que a apresentada pela primeira linhagem do vírus isolado em Wuhan, na China”, diz à Agência FAPESP Geraldo Aleixo Passos, professor da FMRP e da FORP-USP e coordenador do projeto.

Segundo os pesquisadores, a rápida propagação do Sars-CoV-2 entre os humanos está acelerando sua evolução. Até agora, o vírus acumulou mutações a uma taxa de até dois nucleotídeos por mês, e isolados recentes apresentam pelo menos 20 alterações do tipo em seus genomas em comparação com a linhagem selvagem, isolada em janeiro de 2020.

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